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Azoth
 
Azoth Occult Magazine

A Chegada do Azoth

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 UMA NOVA REVISTA PARA O ESOTERISMO DA ERA DE SATURNO

 

A maioria dos nossos membros inscritos no PK já terão recebido a esta hora a nossa revista Azoth. Criada apenas para membros exclusivos do Projecto Karnayna a nossa intenção ao criar esta revista de circulação privada é dedicar grande parte do nosso esforço intelectual a membros dedicados aos objectivos programados na nossa carta de intenções e com quem muitas das nossas ideias possam ser partilhadas como fermento e estímulo de uma nova vida espiritual em que o Paganismo Iniciático e Esotérico seja a sua referência máxima.

 
A capa da revista Azoth representa Adão e Eva recebendo o influxo da Serpente da Iniciação, como conta o Génesis e como a ilustrou Albrecht Dürer. Esta imagem representa bem aquilo que pretendemos com esta iniciativa! A de lembrar que o Impulso da Iniciação durante a emergência da humanidade no seio do Cosmos foi semeada sem dúvida alguma pela Serpente. Tudo o resto que vem a seguir, desde os momentos redentores de Cristo ou de Buda, são apenas sucedâneos secundários e arremedos desesperados que apenas contribuíram para a falsa consciência daquilo que as pessoas chamam hoje com solene e ignara reverência “religião”. Esse é um evento cósmico eternamente presente no Méon. Não é um acontecimento passado de que a Humanidade é por inteira beneficiadora, num discurso igualitário e alienante tão típico do Cristianismo e do Racionalismo Democrático. É, isso sim, um evento atemporal ao qual se acede no Momento Presente e no Eterno Agora e ao qual cada mulher ou a parte feminina do ser humano desperto deve igualar-se a Eva, a Mãe Vivente, e receber da Serpente a Luz da Antiga Iniciação. È a Dimensão Feminina do nosso Ser, seja na versão cabalística da Shekina ou da Kundalini hindu ou mesmo da Lilith Daimónica, que tem a propriedade de receber o Pneuma da Serpente e doá-lo ao nosso Sangue e á nossa Carne. Pois sem o Sangue e a Carne transfigurados o Espírito, como diz o Sepher Yetzira, é mera inanidade.

 
O momento do Génesis e a recepção da Iniciação Samaélica, protótipo de todas as Iniciações que no Tempo e na História os homens tentaram imitar, não é, assim, um legado inexorável da humanidade mas uma frágil possibilidade eternamente presente. Uma possibilidade cuja fragilidade advém do facto de ela só poder se tornar redentora através de um esforço prometeico para sorver o Fruto Eterno da Sabedoria, enigma do Fogo Cósmico e do Azoth, de que esta revista retira o nome.

 
A nossa experiência ao fim de 10 anos de existência pública na web e em múltiplas palestras, cursos, workshops, é a de que o maior motivo de interesse pelo esoterismo advém de um mero espírito de consumo e do superfialismo que o movimento new-age introduziu na era moderna. Isso não se coaduna com o genuíno esoterismo e os ordálios sacrificiais da Iniciação. A maior parte do trabalho de investigação e publicitação esotérica é mesmo inútil para a maioria das pessoas, mesmo que elas acreditem, com a crença e a credulidade do típico ocultismo new-age, trazerem uma necessidade espiritual. È inútil porque não há mudança nem metamorfose sem sacrifício. È desnecessária porque a porta de entrada da Iniciação é sempre vivida como uma maldição e pela travessia desse Portal 32 do Caminho Cabalístico que é povoado pela morte, a psicose e a extinção psicológica. Nem todos aguentam esse processo de mutação humana. Por outro lado a necessidade religiosa vacila logo que enfrenta esse ordálio, preferindo a vivência vegetativa de rotinas pseudo-espirituais típicas da nossa sociedade de consumo. Um dos actores desta superficialidade espiritual de consumo tem sido sem dúvida alguma o próprio Paganismo, não o Paganismo na sua acepção culta e restrita, iniciática e esotérica, mas na sua acepção popular com o seu folclore kitch e os seus charlatães que, inconscientes dos valores iniciáticos subjacentes, têm alimentado a imbecilidade religiosa moderna, retracto inverso do Cristianismo de que tanto se pretendem distanciar. O que tem a maioria da humanidade em essência é mera necessidade de conforto psicológico diante da contingência do seu destino e mera curiosidade pelo oculto na esperança de que através do Conhecimento que ele dispensa almejem algum Poder sobre a vida confusa e frustrada em que vivem. Porém não há Poder sem a doação inteira ao Ser, tal como ilustra o mito de Odim doando-se sangrado pela Lança a Si-Mesmo. Não há Poder sem a paradoxal necessidade de desejar não poder nada e apenas Ser.

 
Aos membros do Projecto Karnayna e aos recém-chegados que o Azoth possa incendiar-se em Gnose no todo inteiro do seu Ser.

 Gilberto de Lascariz

"Azoth, Occult Magazine" encontra-se disponível na secção privada da Livraria do PK